Pular para o conteúdo principal

Os incomodados que se mudem.

Eu sinto muito, desculpa! Eu sinto muito, sou tão cheia de sentimentos que eles transbordam. Lágrimas que surgem do nada e risadas descontroladas são apenas vestígios do que se passa dentro de mim. Já tentei esconder tudo isso, mas a sensação de sufoco, algo preso, como que entalado na garganta me fez perceber que não é uma opção. Já tentei mudar, agir de outras formas, falar menos sobre isso, dar menos importância, não adiantou. Sou assim, se tiver que falar, eu falo e provavelmente se eu tiver que ficar quieta, vou falar também. Essa coisa de guardar o que eu penso não serve pra mim, eu sinto que alguém precisa me ouvir. Eu preciso ser ouvida. Quando eu falo, parece que esse peso enorme sai de mim. O problema é que nem todo mundo reage bem. As pessoas não querem me ouvir, pouco se importam com que penso ou sinto. Quando abro minha boca parece que consigo ouvir os pensamentos da pessoa ao meu lado “de novo, não”. Eu realmente não sei como prosseguir, me calo e dói, eu falo e dói. É como se as vezes não houvesse paz em mim, tenho sempre que escolher entre ficar incomodada ou ser um incômodo. Eu quero ser paz, juro! Mas dentro de mim sinto que sou guerra. Até quero ser simples, mas quanto mais tento mais complico e me perco dentro de mim. Queria tanto agradar as pessoas com quem tanto me importo, mas como fazer isso sem mudar meu jeito? No fundo, só queria ser amada, exatamente pelo que sou, sem tirar , nem pôr. Sem que me se sentisse sufocada e nem sufocando as pessoas a minha volta. Só eu sei quanto tempo perdi imaginando como não incomodar, como ser aceita, como ser querida, como fazer com que as pessoas se importassem de verdade comigo. De tanto querer algo dos outros deixei de lado as vontades do meu coração, os sonhos reais, os que dependiam apenas de mim. Até um dia, o dia que tudo mudou. Quando percebi que não importava o que os outros pensavam, eu me amava. Amava minha história, mesmo que tão complicada e não me cansava de modificá-la. Passei a querer minha própria companhia, a gostar de ouvir minha risada, aprendi a me olhar no espelho e sorrir com tamanha beleza. Me libertei com um papel e uma caneta, ali depositei tudo o que eu sentia, mesmo que ninguém fosse ler, eu escrevia . Queria falar, contar a minha versão da vida. Mudei meu querer, escolhi ser feliz, sozinha. Sozinha,mas tão cheia de mim que não precisava de ninguém para te completar. Já não precisava que alguém me ouvisse, mas também não iria guardar o que penso. Eu me aceitei, assim do jeitinho que sou e quem quer que não gostasse disso, se retirasse. Eu entendi que talvez para algumas pessoas eu vá ser um incômodo, mas não vai ser isso que vai me abater. Deixei que apenas quem sabe ouvir uma boa história possa sentar do meu lado para saborear a vida.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Intensa

Essa carta é pra você. Você que não foi nada meu, mas deixou uma marca em mim. Você que entrou na minha vida de forma repentina e saiu da mesma forma. Resolvi enfrentar de frente meu medo e admitir que você foi mais do que eu gostaria. Até agora não consegui definir o que eu senti ou o porquê, mas vou tentar explicar. Te conheci num momento em que eu não tinha o controle de nada, a sensação que eu tinha era que tudo o que eu desejava estava fora de alcance. Você apareceu e eu só vi um escape, uma forma de não me afundar na loucura da minha mente, de não cometer os mesmos erros, de não pensar no que eu não tinha e focar no que estava bem na minha frente. O interessante é que eu não esperava nada em troca, eu só queria alguém pra me entreter, você servia para esta função. Só que algo aconteceu, eu te conheci, conheci sua forma de ver a vida, que é tão diferente da minha, conheci a pontinha do iceberg do que seria você. Eu gostei, gostei que no fundo eu também era um escape para as suas l...