Essa carta é pra você. Você que não foi nada meu, mas deixou uma marca em mim. Você que entrou na minha vida de forma repentina e saiu da mesma forma. Resolvi enfrentar de frente meu medo e admitir que você foi mais do que eu gostaria. Até agora não consegui definir o que eu senti ou o porquê, mas vou tentar explicar. Te conheci num momento em que eu não tinha o controle de nada, a sensação que eu tinha era que tudo o que eu desejava estava fora de alcance. Você apareceu e eu só vi um escape, uma forma de não me afundar na loucura da minha mente, de não cometer os mesmos erros, de não pensar no que eu não tinha e focar no que estava bem na minha frente. O interessante é que eu não esperava nada em troca, eu só queria alguém pra me entreter, você servia para esta função. Só que algo aconteceu, eu te conheci, conheci sua forma de ver a vida, que é tão diferente da minha, conheci a pontinha do iceberg do que seria você. Eu gostei, gostei que no fundo eu também era um escape para as suas loucuras. Me senti útil. Por mais que não pareça sou sentimental, uma pedra por fora e manteiga derretida por dentro. Quando você me deu atenção, depois de tanto tapa na cara que tomei da vida, foi tão reconfortante. Foi como chocolate quente num dia frio. Me fez ver que é possível que outras pessoas gostem de mim, isso foi mágico. Enquanto eu senti tudo isso, num período tão curto, você só ficou confuso. Acho que te assustei com tanta intensidade. Eu entendi, ainda entendo, afinal você não precisava mais do escape, deixei de ser útil e no fundo eu sabia que isso ia acontecer. Eu só não queria me ausentar totalmente, eu tinha aprendido a me amar de novo e começava a acreditar que eu não era tão ruim assim, graças a você. Tinha começado a ler o livro da sua vida, eu queria saber o final, queria saber a história toda, com detalhes. Quis ser amiga, amiga que faz companhia em uma tarde chuvosa, que liga pra chorar no telefone, que manda mensagem pra sair de casa e olhar o nada. Queria ser importante, porque de alguma maneira você era pra mim. Eu conseguia contar meus segredos mais íntimos, queria que pudesse sentir o mesmo. Só que eu esqueci que isso não depende de mim, então me desculpa. Eu, nessa de querer muito, sentir muito, acho que sufoquei sua vontade, pensei tanto no que eu queria, não percebi que não se tratava apenas de mim. Eu acabo criando expectativas, cobrando as pessoas por não suprirem elas e quando vejo a única coisa que resta é me afastar. Me afastar porque eu não sei ser pouco, não sei ganhar meia atenção, nem um abraço de vez em quando, não sei receber uma mensagem por semana. Não sei lidar com gente que na verdade nem lembra de mim, nem se importa se tô bem ou não, que no fundo não espera nada de mim. Ou gente que sente, mas não demonstra. Pra muitos eu sou carente, talvez eu seja, mas sou eu, não sei ser diferente. Eu acho que isso te incomodou, me incomodou, porque no fundo eu sei que fui um incômodo. Fui inconveniente em querer saber tanto da sua vida e de me achar no direito de cobrar que você não se afastasse. Então, de algo tão bom, tão natural, a gente passou a isso, que nem sei o que é. Eu, de tão intensa explodi o que poderia ser algo simples. Mas com um propósito, simplificar pra você, sem incômodos, sem uma pessoa que nem conhece direito sentindo tanta coisa por você. Na minha cabeça, eu te libertei.
Eu sinto muito, desculpa! Eu sinto muito, sou tão cheia de sentimentos que eles transbordam. Lágrimas que surgem do nada e risadas descontroladas são apenas vestígios do que se passa dentro de mim. Já tentei esconder tudo isso, mas a sensação de sufoco, algo preso, como que entalado na garganta me fez perceber que não é uma opção. Já tentei mudar, agir de outras formas, falar menos sobre isso, dar menos importância, não adiantou. Sou assim, se tiver que falar, eu falo e provavelmente se eu tiver que ficar quieta, vou falar também. Essa coisa de guardar o que eu penso não serve pra mim, eu sinto que alguém precisa me ouvir. Eu preciso ser ouvida. Quando eu falo, parece que esse peso enorme sai de mim. O problema é que nem todo mundo reage bem. As pessoas não querem me ouvir, pouco se importam com que penso ou sinto. Quando abro minha boca parece que consigo ouvir os pensamentos da pessoa ao meu lado “de novo, não”. Eu realmente não sei como prosseguir, me calo e dói, eu falo e dói. É co...
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